É foda!
February 11, 2007, 8:58 am
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 micro_01.jpg

Eu sou um grande invejoso. Não posso me deparar com o trampo de um cara foda que eu fico todo invejoso. Mas não é do mal, é bem do bem. Me motiva, me faz querer desenhar sem parar, me faz perder o sono. Depois que eu vejo o trabalho de alguém muito fudido ( podia citar todos os que fazem eu me sentir assim, mas não vou ), eu fico transtornado.

 Ano passado fiz um trampo com o Paul Pope. Não posso falar do que se trata, pois envolve contratos com a Lobo. Mas a questão é que ele mandou páginas inacreditáveis, onde eu e o Fábio Moon, que tive o privilégio de chamar pro projeto, ficamos invejosos. O gringo realmente é muito original e experimentalista. Ele domina o storytelling, ele sabe ser fluido sempre ( no Flickr do cara dá pra conferir uma imagem desse trampo).

Eu nunca deixo de procurar pelos fudidos. Vasculho, fuxico, perco horas. Sempre acho alguém fazendo algo diferente. Quando eu fico desmotivado, é aquele maldito cara que desenha coisas inacreditáveis que me faz olhar pra minha prancheta e repensar os meus rabiscos.

Mas, mesmo com toda essa nóia, na hora de desenhar, só penso em seguir meu próprio caminho. Fodam-se os fodas! Ficar só olhando não te deixa realizar nada. A grande jornada é tentar ser um foda no seu próprio estilo.

Essa ilustra só tem  a ver com o que eu escrevi porque eu vi um cara foda e tive que desenhar, e isso faz bastante tempo. Mas azar ( pra não dizer foda-se de novo, pois alguém pode ficar ofendido com tanto palavrão [ ah, vai! todo mundo fala foda-se] ) !

Abraço

R. Grampá



Collect Files
February 9, 2007, 3:00 am
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 De repente o cara fica sem nenhuma idéia. Isso quase sempre acontece quando te convidam pra fazer algum trampo autoral e te dizem: “Faz o que você quiser”, e você pensa: “Excelente! Vou pirar o cabeção!”. O tempo passa, o prazo já é amanhã e você não fez nada. A grande idéia não veio e o cabeção nem sinal de pirar. E o prazo, implacável, não quer nem saber. Chega chegando. E aí, o que fazer? A-ha!! Collect Files! E quer saber? Todo designer já fez ( você, designer, não está sozinho)!

 É mais ou menos a mesma situação de quando se quer fumar um e não tem. A solução é catar as pontas e transformar num. As vezes fica uma bosta e as vezes fica legal.

 Essa ilustra foi feita assim. Fui abrindo minhas pastas, peguei tudo aquilo que havia sobrado de outros layouts, que eu não tinha usado e que estava ali, só esperando minha procrastinação pra eu enfim, dar uma razão a sua existência. Acabou o prazo e eu, bem tranquilo, com a ilustra pronta. Ela foi parar num DVD lançado pelo Resfest, num evento em NY. Os caras lá curtiram e resolveram que a ilustra seria também a capa do DVD. Viu? Nunca jogem as pontas fora! 

Abraço, 

R. Grampá



Exposição
February 8, 2007, 1:35 am
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“Não entendo como você consegue se expor…”, me disse um amigo, segunda feira passada. Na verdade nunca gostei muito da idéia. Sempre me entoquei, desenhava pra mim, não fazia questão de publicar. Hoje considero meu pensamento anterior uma grande besteira. Um artista só passa a existir quando o seu trabalho existe para os outros. Um Blog acaba expondo um pouco mais do que só o trabalho e eu acho que era disso que o o David estava falando ( o David é um dos melhores desenhistas que eu conheci aqui em São Paulo e com certeza um dos melhores do Brasil).

Aproveitando a deixa, a imagem acima foi criada pra um projeto da Vasava chamado Place, que incluia uma exposição ( sacou o trocadalho do carilho?).

Abraço

R. Grampá



Thumbnails!
February 6, 2007, 5:50 pm
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The time that is spent doing the pre-production of an animation is unbelievable. It can take months, even years. Time is well spent and carefully managed for everything. Script, Storyboard, character and scenery designs, animatics, blah blah blah…

I’ve found that the best way to do my Comic Book is the same way that I do animations. Step by step, one thing at a time. I decided to spent a lot of time on the pre-production. The funniest and most important part up to now was the thumbnails. Fabio moon and Gabriel Bá say that I put too much detail into the thumbnails. But I like it that way, because when I really start to draw, everything is already ready, it’s just drawing it bigger. I’m sure that this isn’t the best way to do comics when you have a tight deadline, but since I don’t have anyone breathing down my neck ( besides the Bro Brothers ), I decided to do it in my own way and it will be exactly how I want it.

Today I finished the thumbnails, the “storyboard”. Close to 40 pages. Now I’m entering the next phase: “Animatic!”

————–
O tempo que se gasta fazendo a pré-produção de um desenho animado é sem noção. São meses, até anos. O tempo é bem gasto e planejado pra tudo. Roteiro, Storyboard, concept dos personagens, dos cenarios, animatic, blá, blá, blá…

A melhor maneira que eu encontrei pra fazer o meu álbum foi do mesmo jeito que eu faço animação. Passo a passo, cada coisa de cada vez. Decidi gastar um bom tempo na pré. A parte mais divertida e importante até agora foram os thumbnails. Os gêmeos dizem que eu defino demais os thumbnails, que eu detalho demais. Mas eu prefiro assim, pois na hora de eu desenhar valendo já está tudo definido, é só desenhar grande. Tenho certeza que essa não é a forma ideal de se fazer Quadrinhos quando se tem um prazo de mercado, sempre apertado, mas como não tenho ninguém no meu pé ( além dos brou brothers ), decidi fazer de um jeito que eu sei que vai ficar exatamente como eu quero.

Hoje eu acabei os thumbnails, o “storyboard”. Quase 40 páginas. Passei para a próxima fase: ” Animatic”!

Abraço

R. Grampá



Freestyle 01
February 5, 2007, 6:28 pm
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freestyle_01.jpg

 A maioria das idéias que eu tenho surgem quando eu desenho sem compromisso, freestyle mesmo, direto na caneta, sem desenhar rascunho a lápis pra finalizar depois, tipo aqui & agora.

Desenhar assim ajuda o traço a amadurecer, ficar mais pessoal, pois naquela hora você vai estar desenhando com a mão solta, sem se preocupar se ele vai ficar assim ou assado. Você consegue liberar o que há de mais particular, natural e despretencioso no seu desenho, além de fazer uns que você jamais iria parar pra desenhar.

Foi assim que nasceram alguns dos personagens do meu projeto, e é assim que continuam a nascer outros que, não importa se virarem personagens em alguma história ou não, vão existir, sem compromisso.

 Abraço

R. Grampá



Traço 02
February 4, 2007, 1:02 am
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flyingfrog031.jpg 

Houve uma época em que eu só desenhava personagens de histórias em quadrinhos. Batman, Wolverine, Spider-Man, etc. Como todo adolescente que gosta de Quadrinhos, obviamente. Tinha o sonho de ser um Roger Cruz da vida, de me dar bem desenhando super-heróis igual ele se deu. Antes disso eu já queria ter sido o Angeli, o Laerte, mas lembro que foi com o BOOM da Image Comics nos anos noventa que senti a oportunidade de virar um Arthur Adams ( Ha, ha! Que pretenção! ), desenhando super-heróis na gringa. Cheguei a desenhar umas páginas de super-heróis e tal, mas nunca estava satisfeito, sempre achava que o desenho estava parecido com o de alguém e isso me fazia engavetar tudo que eu tinha desenhado. Queria ser eu mesmo.

Cresci e resolvi trabalhar com animação. After Effects. Fiz muita vinheta corporativa. No finalzinho de 2003, depois de eu ter experimentado um pouco mais em animação, fazendo video-clipes e umas vinehtas para um programa de moda, fui convidado pra vir trabalhar num estúdio de motion graphics aqui em São Paulo. A LOBO. Naquela época, o estúdio já era bem respeitado. Hoje, quem gosta de design e animação no mundo conhece a LOBO ( menos minha Mãe, que acha que eu trabalho na Globo )!

Lá eu conheci os caras mais fodas de design e animação que existem do Brasil e arrisco dizer da América Latina. Meu desenho mudou depois que conheci esses caras. Sempre fui de experimentar, desenhar em vários estilos, mas nada comparado ao que seria dali pra frente. Experimentei desenhar até com cerveja misturada em cinzas de cigarro ( dá um puta efeito legal ),  ir para diversos caminhos, diversas propostas. Todo dia é um desafio novo, e isso é muito bom.

Se naquela época dos anos noventa eu tivesse conseguido o que eu desejava, desenhar super-heróis, talvez estivesse fazendo isso até hoje. Poderia até ter sido bom, mas não teria conhecido o outro lado, o das experimentações. O problema de Quadrinhos de super-heróis é que dificilmente te deixam experimenter, ir além. O estilo já existe e está pronto para ser copiado. Claro que existem os artistas que reinventam, mas são muito poucos. A maioria não tá nem aí, copia e acha que não copia. È claro que todo mundo tem suas referências, que é muito difícil ser exclusivo e original, mas mesmo assim, quem tenta, experimenta. E gosta!

Hoje, minha vontade de fazer Histórias em Quadrinhos voltou, bem forte. Mas quero contar minhas próprias histórias, com liberdade para experimentar onde eu quiser.

O desenho postado acima é um fruto desses experimentos, um experimento mais comportado, no qual eu acabei me baseando para desenhar a HQ da Gunned Down, que me deu segurança pra fazer um projeto maior. O desenho foi inspirado no Da vinci. Estranho, pois não me importo se o meu desenho ficar parecido com o dele! 🙂

Abraço

R. Grampá



Traço
February 2, 2007, 8:10 pm
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rufo_concept01.jpg

O que me impediu, durante muito tempo, de contar uma História em Quadrinhos foi a maldita questão do traço. Não sabia se fazia com caneta, com pincél, se usava hachuras ou blocos de preto pra dar a profundidade, se desenhava um traço mais estilizado ou menos…Tudo era uma dúvida. Fiz centenas de “testes de traço” e não ficava satisfeito nunca. Passei anos nessa. Achei que nunca ia achar um estilo.

Aí veio o convite dos gêmeos pra fazer a Gunned Down e eu aceitei. Eu não tinha mais desculpas, havia me comprometido. Eu andava desenhando bastante na tablet naquela época, e resolvi fazer todas ( todas nada, só quatro, preguiçoso! ) na tablet. Eu já estava na onda de micro-hachuras, mas foi na tablet que o traço apareceu.

Percebi que não adiantava eu ficar fazendo desenhos a vulso por aí pra achar um traço que eu ficasse satisfeito pra desenhar Quadrinhos. Só depois, de ver o traço na página, foi que eu vi que funcionava, e que funcionaria com qualquer traço que eu escolhesse. História em Quadrinhos não é traço, é storytelling.

A imagem postada aí em cima é da época da Gunned Down, quando eu pus na cabeça que queria desenhar caminhoneiros. O traço não é mais assim, mas o grandão aí garantiu um espaço importante na minha estória.

Abraço,

R. Grampá