Convention “inked sketches”
November 28, 2009, 6:29 am
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Achei isso na net hoje. Que engraçado, eu nem lembrava que havia feito esses desenhos. É interessante como o fluxo de aprendizagem se renova e acabamos esquecendo o desenho em si e ficamos apenas com a experiência do desenho. Foram feitos ano passado, quando eu fui lançar a MD em NYC. Cheguei no dia 14 de Novembro a noite e dia 15 tinha essa convenção rolando em Nova Iorque, a Big Apple Convention. O Ivan Brandon tinha um estande e eu empilhei umas MDs lá. Aí apareceram dois caras pedindo pra eu desenhar uns sketches. Eu nunca tinha feito, nem sabia o que cobrar. Pensei um preço lá e os caras toparam. “Então você poderia desenhar uma mina com uma espada pra mim?”, disse um, enquanto “Eu quero um cara fortão com duas armas!”, o outro. “Ok”, eu. Foi divertido, mas não gosto muito de fazer desenhos encomendados, sei lá porque. Não me sinto confortável com a idéia mesmo já tendo visto lindos trampos de “commission” feitos por artistas mais do que fodões. E o pior é que não tem muita diferença entre fazer um desenho encomendado por um admirador e desenhar pra DC ou Marvel ou outras editoras, por exemplo. Eu nunca havia pensado sobre o assunto até fazer esses dois desenhos. Não sei se não gosto de fazer desenhos assim pelo fato de você ficar no alcance de qualquer pessoa que tenha dinheiro pra pagar por um desenho seu e que por causa disso ele pode escolher o que vai ser desenhado e que pode te dar uma boa dor de cabaça dependendo do cliente. Ok, já desenhei o Constantine pra Vertigo e foi uma ótima experiência. Mas o roteiro do Azzarello veio super aberto e cheguei a incluir dois quadros em cada uma das páginas e senti bastante liberdade. O Azz só disse que se eu respeitasse o seu “page breakdown” a gente estava OK, que podia incluir o que eu quisesse em prol do storytelling. Agora vou ter uma outra experiência parecida, só que não consigo encarar como um trabalho sob encomenda. A Marvel me convidou pra escolher qualquer personagem deles (tipo, qualquer um dos 5.000, pouca opção) pra escrever e desenhar uma história com liberdade total de criação. Escolhi um bem famoso pro choque da mudança ser mais legal. Ok, certamente não será a coisa mais chocante do mundo, mas um choquinho pode ser que role, espero. O roteiro já está pronto e o design do personagem também. Assim é quase como se o personagem fosse meu, então é óbvio que eu me senti a vontade para fazer.

Hoje em dia eu tenho uma certa restrição em aceitar desenhar o que me pedem, seja uma editora ou um admirador. Deve ser porque trabalhei minha vida inteira com publicidade e quando sou “mandado” ou tenha um cliente para aprovar, já torço o nariz na hora. Quando o trabalho é legal, com gente legal envolvida, tipo ilustrar o conto do Ruben Fonseca pra Playboy, faço feliz da vida. Apesar de eu não gostar do resultado desse trabalho – da minha parte eu digo – foi legal de fazer porque a galera da Playboy é classe A! Mas geralmente na publicidade ou até mesmo na área editorial, sempre me frustrei com as direções dos diretores de arte. 99% não sabem NADA e são cegamente arrogantes a ponto de nunca deixarem o artista com quem estão trabalhando sugerirem um caminho melhor do que eles mesmos estão propondo, que quase sempre é uma idéia vaga – aí fica aquela malandragem de fazer o artista desenhar MIL sugestões sem liberdade criativa e refações até ficar parecido com algo que eles já tenham visto, é claro – ou uma cópia mal encoberta de alguma outra coisa. Eu já trabalhei como diretor de arte durante anos e sei bem do que eu estou falando. Então, um recado para os diretores de arte: Primeiro, escolham BEM o artista que vocês querem trabalhar. Segundo, vocês precisam aprender com os artistas. Vocês só são diretores de arte porque amam arte – a maioria nem tanto na verdade, amam o status e o cartão com o “diretor” escrito, o que não significa porra nenhuma se o cara não tem a mãnha- e queriam muito ser artistas também – e muitos tem alma de artista e geralmente são esses que entendem do que estão falando- então, sejam humildes e deixem o artista cooperar criativa e artisticamente em vez de tratá-lo apenas como mão de obra pra justificarem o status de diretor. Assim o trabalho só vai melhorar e talvez sua carreira também melhore. E parem de copiar os gringos, isso é feio e todo mundo do seu meio sabe que você está copiando.

Pensando bem, acho que o segredo é sempre se focar no fluxo de criatividade e na experiência da aprendizagem pra fazer desenhos encomendados. O desenho pode não ser uma expressão pessoal sua no fim das contas, mas ninguém te tira o que você aprendeu com aquele desenho e com certeza essa experiência vai aprimorar o seu trabalho pessoal.

Abraço,

R. Grampá

PS: Eu tava com saudades desse blog.



Palestra na Feira do Livro de Porto Alegre
November 7, 2009, 10:01 pm
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Rafa Coutinho e eu estaremos na Feira do Livro de Porto Alegre, na IV Mutação na Feira, para uma palestra no dia 10 de Novembro, terça-feira, as 14 hs na Casa do Pensamento. 

O Título da palestra é “Cruzando a arrebentação dos Quadrinhos” e vamos falar sobre surf. Isso mesmo, surf. Não, não surfo. Achamos esse paralelo entre surf e Quadrinhos para debatermos sobre a passagem que todo artista amador precisa enfrentar para se tornar um autor de Quadrinhos. A difícil transição de fã, que se apaixona pela arte contemplando o resultado, para o autor de quadrinhos e sua relação com o trabalho para chegar naquilo que contemplava. Não parece surf pra vocês? Então aparece lá na palestra que talvez você mude de idéia.

Espero todo mundo lá!

Abraço,

R. Grampá




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